Só se vive uma vez. Eu levava comigo a risca esse lema. Só se vive uma vez, a mesma oportunidade uma vez.
A pedra na rua para chutar? Uma vez só chutarei ela da mesma forma.
Um sorriso a se formar num rosto? É a última, talvez única, chance de ganhar este sorriso.
Um beijo a ganhar? Todo beijo é único, uma vez, um momento, não posso perdê-lo.
Mas eu estava errada. Medonhamente errada. Vivemos dez vezes n’uma vez.
Deixe-me explicar. Não gosto de raptar corações, tampouco gosto que alguém rapte o meu. E a minha história começou começou exatamente assim, com o meu coração sendo raptado, numa tarde nublada (ou não) de um junho sem fim. Estava eu e meu coração solitário, bem, ele não estava solitário. Isso é importante, um coração nunca é um só, junto dele existem pedaços dos corações que você rapta no caminho. Você os devolve no entanto, fica com um pouco dele pra si, para que nunca esqueça que não se rouba atoa um coração. Pois bem, eu achava que ele estava lá, quieto e mansinho, como criança bem comportada, um ledo engano. Meu coração foi sorrateiramente roubado de mim.
Eu deveria deixar de ser boba e falar logo o que houve. Eu me apaixonei, e realmente não acreditava nisso, só passei a acreditar quando percebi que todos os dias qualquer palavra recebida da pessoa por quem me apaixonei fazia um barulhão no vazio que estava meu coração. É meus queridos eu digitava com um sorrisinho no rosto. E não tem coisa mais idiota para um espectador observar você lá com aquele sorriso besta.
Porém lembrem-se: eu pensava só se vive uma vez. E eu me enganei.
Quando um coração é raptado ou ele volta decepado, cada parte dele sangra cruelmente até que a dor se acalente e o tempo passe a ser o melhor conselheiro. Ou ele volta com a Síndrome de Estocolmo. É difícil admitir. Meu coração foi raptado, arrancaram um pedaço e no entanto o danado estava assim, complacente com seu sequestrador.
Há dez meses eu penso: só se vive uma vez.
Só se vive uma vez tanto tempo com alguém sem medo que seu coração volte decepado. E só uma vez você se dá a chance de ter um dia a mais com um coração calmo e sereno. Eu queria um amor pr’a vida inteira e por sorte encontrei.
Por Danieli Dagnoni
Num momento nebuloso e de saudades, depois de um fim de semana cuidando do namorado, ela resolveu falar que é a primeira vez que vive assim, com um abraço no Rio que vale por meses em Joinville.






















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